sexta-feira, 25 de março de 2011

Deu na impensa: Sem professores nem salas de aula, alunos da Uespi protestam no Piauí

Manifestação dos estudantes tomou conta das ruas de Teresina.
Professores entraram em greve por falta de material para dar aulas.

Do G1, com informações do Globo Notícia
 
Estudantes da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) protestaram nesta quinta-feira (24), em Teresina, contra a falta de professores e as más condições nos prédios da universidade. Os alunos saíram em passeata pelo centro da cidade. A falta de autonomia financeira é apontada como principal causa dos problemas. As aulas deveriam ter começado na segunda-feira (21), mas os professores entraram em greve para reivindicar melhores condições de trabalho.

Na segunda-feira, o reitor da Uespi se reuniu com governador do Estado, Wilson Martins, para discutir a atual situação da instituição. Durante a reunião foram abordados temas como estruturação dos 52 campi, além da reforma e ampliação do campus de Picos. Segundo o reitor Carlos Alberto Pereira da Silva, o prédio de Picos está retomando as obras, e para começar o ano letivo a Secretaria da Educação, juntamente com a Uespi, está disponibilizando algumas salas de um colégio estadual para que os alunos não tenham prejuízos com o atraso das aulas.

Prédio do campus de Picos foi interditado por obra mal feita no andar superior (Foto: Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)Prédio do campus de Picos foi interditado por obra
mal feita no andar superior (Foto: Aleksandro
Libério/Arquivo pessoal)
Falta de material
Sem material básico para dar aulas como pincel, giz, lousa e apagador, os professores da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) entraram em greve nesta segunda-feira (21), dia em que as aulas deveriam começar. A paralisação, segundo o sindicato da categoria, será por uma semana até a realização de uma nova assembleia. A situação mais grave é no campus de Picos, a 330 km de Teresina, onde, além de material, falta sala de aula para os alunos estudarem. O prédio da universidade foi interditado após problemas com uma reforma sob o risco de desabar.
A universidade tem 17 mil alunos espalhados em 52 núcleos pelo estado. A Uespi diz que já conseguiu junto ao governo do Piauí a liberação de R$ 77,5 mil para a compra do material de expediente, e garante ter condições para dar início às aulas.
De acordo com o Sindicato dos Docentes da Uespi, a adesão à paralisação é total em vários campus da universidade, nas cidades de Teresina, Picos, Parnaíba, União e Corrente. “Queremos as condições mínimas para entrar em sala de aula. Não temos condições materiais”, diz a professora de química Graça Ciríaco, presidente do sindicato, por telefone, ao G1. Tem lugar em que o reitor mandou dividir a sala com paredes de gesso, e nem quadro negro tem. Faltam giz, lousa, grampo, e até papel para imprimir a matricula.”
A pró-reitora de ensino de graduação da Uespi, Bárbara Olímpia Ramos de Melo, disse ao G1 que o motivo da paralisação dos professores já foi resolvido com a liberação da verba extraordinária por parte do governo e que o calendário acadêmico será mantido.
Carteiras amontoadas pelos corredores da universidade (Foto: Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)Carteiras amontoadas pelos corredores da
Uespi (Foto: Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)
Obra embargada
A instituição passa por uma série de problemas de infraestrutura. Na cidade de Picos, os alunos não podem ter aulas porque o prédio está interditado. Uma reforma mal feita para ampliação do prédio condenou toda a instalação.
“Fizeram salas enormes no andar de cima sem colunas de sustentação. O teto ameaça cair. Foi preciso interditar inclusive as salas da parte debaixo”, diz o estudante de direito Aleksandro Libério, um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes. Segundo ele, a reforma começada há dois anos e deveria durar seis meses. "Chegamos a ter aulas com o risco da estrutura cair. A diretora decidiu nos tirar de lá para ninguém correr riscos."
A obra foi embargada em outubro do ano passado. A reitoria alugou salas em escolas particulares para os alunos estudarem, mas por falta de pagamento, as salas foram retomadas. De acordo com a universidade, um prédio público foi cedido para atender aos alunos, mas foi preciso adaptar as salas para receber e os alunos ficaram sem ter onde estudar.
Sem vigas de sustentação, teto do prédio em Picos ameaça cair (Foto: Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)Sem vigas de sustentação, teto do prédio em Picos ameaça cair (Foto: Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)
Fios soltos após interdição da obra (Foto: Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)Fios soltos após interdição da obra (Foto:
Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)
“A situação é grave em Picos”, reconhece a pró-reitora da Uespi. “O dinheiro que o governo liberou não é para infra-estrutura. Há dois anos começou uma reforma no campus e tivemos alguns problemas. No ano passado pedimos vistoria do Conselho Regional de Arquitetura (Crea) e a obra foi condenada.” De acordo com Bárbara Olímpia, a Uespi tem seis obras paradas porque as construtoras não cumpriram os prazos.
Em Picos, a Uespi oferece os cursos de direito, administração, ciências contábeis, agronomia, ciências biológicas, geologia, enfermagem, computação, educação física, letras, pedagogia e jornalismo. Os alunos de Picos deverão ser divididos em três turmas para estudarem em espaços alternativos, como uma prédio que não foi embargado no campus, uma escola estadual e um edifício do governo.
Em nota publicada no site da Uespi, o reitor Carlos Alberto Pereira da Silva informa que “a verba necessária para o início das aulas foi repassada pelo governador do Estado Wilson Martins. E com relação à infraestrutura dos campus, o reitor vem medindo esforços junto ao Governo do Estado e através de emendas parlamentares dos deputados federais para a recuperação e estruturação dos mesmos”.
Falta de telhados e estrutura com problemas em Picos (Foto: Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)Falta de telhados e estrutura com problemas em Picos (Foto: Aleksandro Libério/Arquivo pessoal)

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